*Este post foi publicado primeiramente no portal Nowmastê, neste link.

Bom, basicamente foi assim: há 4 anos deixei uma vida pessoal, profissional e socialmente muito tradicional. Não foi uma escolha, na verdade foi um susto.

A cena era a seguinte: muito dinheiro, pouco tempo, uma péssima alimentação, rivotril para dormir de vez em quando, uma relação íntima OK e estava chegando o próximo passo para o qual socialmente fui preparada que era ter os filhos. Tudo podia parecer estar bem diante das expectativas conhecidas, mas lá no fundo não estava, logo, o susto foi mais para uma salvação do que para uma tragédia.

Embora na hora isso não tenha ficado nada claro.

Assim acredito que é, a gente realmente não entende na hora, especialmente quando o recado vem em forma de separação, mudança, desafios ou doença. Mas é. Se aconteceu é porque era o melhor para minha evolução, meu crescimento, hoje acredito com todo meu amor nisso. Se consigo sentir esse amor a cada desafio que se apresenta para mim? Claro que não (ainda), mas quero e muito chegar nesse lugar.

Mas voltando a minha história do susto, é importante eu ressaltar que eu honro cada dia na minha antiga agencia e outros trabalhos, agradeço todos meus parceiros, minha equipe, sócios e marido. Todo o meu caos não tinha nada a ver com os outros, mas sim com a minha dissociação do que eu queria, acreditava e o quanto eu não conseguia por em prática. Eu posso dizer que me perdia e muito no querer do outro.

Meio que assim: se eu quisesse fazer algo de um jeito e outra pessoa queria fazer do outro, das duas uma: Ou eu comia pelas beiradas e fazia do meu jeito ou eu abria mão, sem a coragem de expor meu lado na situação (mas no fundo ficava um tanto indignada pelo o outro ter uma visão “tão limitada”, segundo meu julgamento).

Mas por que eu não bancava o que sentia? Porque não me colocava? O que me faltava? Será que faltava uma vida mais livre? Um sabático? Ir morar na praia?

Hoje eu diria que faltava consciência sobre questões existenciais simples e básicas, como a lembrança que somos únicos e não importa o que eu faça para mudar o outro, tudo será em vão pois cada serzinho vai ter uma visão e isso é vida, é saudável e produtivo.

Faltava maturidade para não precisar concordar para se relacionar com amor, faltava o próprio amor para ter a coragem de expor minha ideia sem que fosse com a energia de briga ou para provar o quanto “eu” era certa e o outro um Zé mais ou menos. Faltava coragem de sentir o frio na barriga de falar o que eu sentia verdadeiramente, estando aberto a tudo dar certo e também a tudo não dar nada certo.

É bem aquela frase que hoje ouve-se muito: “Tá tudo dentro, nada acontece fora de você”. Tá, mas e daí? Como acessar esse tal “lá dentro”?

No meu caso, quando o caos de repente chegou, de forma bem prática trocamos uma viagem para o exterior para montar o enxoval do bebê por uma viagem para fazer um curso de auto-conhecimento, profundo e intenso.

E assim comecei a conhecer terapias, retiros, pessoas e lugares e o que posso dizer é: Uau! Como tem gente linda nesse mundo trabalhando para nos lembrar da nossa verdadeira potência. E do outro lado, venho também abrindo minha cabeça para outras formas de viver uma vida profissional diferente, venho quebrando o programa tão instalado dentro de mim que vincula dinheiro e sucesso a um modelo corporativo tradicional e de “sobrevivência”.

E por aí sigo, navegando de Osho a Ana Thomaz (na linha mais espiritual) e de Tim Ferriss a Ricardo Semler (na parte mais profissional) venho criando meu portifólio de conhecimento.

A boa notícia é que nessa vida que venho experimentando conceitos e muita prática, tenho cada vez mais certeza que sim: somos capazes de criar realidades na nossa vida, qualquer realidade que a gente queira.

A parte que não é tão boa assim é que não é como um conto de fadas: um é bom o outro é mal, o bem vence o mal e então o bem vive feliz para sempre. Temos que estar inteiros, ver e viver o todo com realidade e coragem (tema do post anterior) coisas muito incríveis e que mostram nossa grande potência e sentimentos densos, realidades duras de se aceitar e desafios e conquistas na mesma proporção. Não tem bem, não tem mal, tem o que temos para hoje!

Não adianta querer só o pensar positivo, o amigo que te entende e apoia ou as boas notícias. Faz parte de uma construção de algo que vem para a matéria, sermos humanamente capazes de sentir, viver e pensar com TUDO que vier no pacote. E aí sim tem mais uma boa noticia: ninguém morre por assumir que sente medo, ninguém morre por se reconhecer inseguro ou ver que falta auto estima para tomar algumas atitudes que você já sabe que tem que fazer mas não tem coragem.

Do outro lado, se a gente sustenta uma auto imagem de super poderoso, de uma pessoa que resolve tudo sozinha, que sustenta hábitos de criança mimada que quer ser magro mas não quer abrir mão da pizza, que vive a vida esperando o dia que “vai falar tudo que pensa para o mundo” pois você sim sabe toda a verdade do mundo, ah…essas coisas sim, na minha visão podem deixar seu corpo e mente adoecerem.

Na prática, se quero escalar o Everest, além de marcar uma data para ir, treinar e começar a preparar equipamento seguro, o primeiro grande passo em direção a criar essa realidade é tirar uma foto da minha vida e ver o que contribui para eu chegue lá e o que não. Se por exemplo eu sou fumante, terei que parar e ponto. E isso mexe tudo lá dentro. Vou fazer um plano de treino e talvez abra mão dos happy hours, afinal tenho uma prioridade, e ao invés de viajar para um Resort all Inclusive eu vou nas minhas férias aprender a meditar pois a concentração é fundamental em uma jornada dessas.

A grande questão é que temos que escolher ser uma coisa ou outra para começar: ou ficamos na criança mimada (ou ferida) e nos tornamos vitimas da vida ou cuidamos da nossa criança interior, amadurecemos e então podemos nos tornar adultos, maduros e criadores de realidades. Não tem meio termo.

Posso dizer que mesmo conhecendo o poder de atuar desse lugar de maturidade e comprometimento com a vida que desejo, vira e mexe me pego agindo de acordo com os meus velhos e maus hábitos e me vejo no drama, na vítima e no gostosinho de não me movimentar para onde quero ir, pois é um fato: tudo treme, tem frio na barriga, tem medo, tem coragem, tem alegria e angústia. E eu pessoalmente, não fui definitivamente preparada para isso tudo.

Mas estou a cada dia melhor e sigo me aprimorando:)

Esse é um tema que eu adoro compartilhar, sempre que tem uma turma querendo saber mais, eu faço um Workshop presencial. Se quiser saber mais deixe seu e-mail cadastrado aqui  que te aviso sobre próximos encontros.

Marcia Mello

Consultora de marketing, inovação e empresária. Ela juntou marketing, negócios e pessoas e criou uma metodologia poderosa, para ajudar quem quer transformar sua vida e abrir a cabeça para algo realmente novo. A sua empesa, Be Project, realize projetos de consultoria para trazer novos horizontes e cutucar as pessoas para que, saiam da zona de segurança e promovam as mudanças que desejam nas empresas, produtos e projetos corporativos que estão envolvidos. Através de reuniões, encontros de brainstorm e laboratórios práticos, o Be Project entrega soluções de alta-performance onde cocriação, inovação e resultados concretos em vendas, posicionamento e desempenho acontecem naturalmente.

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